Ocasião Azada

Queria fazer um autocolante para colar no vidro do carro mas saiu um blog. Ao menos está plastificado.

Tuesday, 17 February 2009

2.

A ideia era estar ali perto da saída do Metro, mas não muito perto - antes de se perderem ou pedirem indicações, as pessoas têm tendência de tentar encontrar os caminhos sozinhas - e não estar de mãos a abanar - o objectivo é que me venham pedir indicações, convém não aparentar um ar perdido.

A teia-de-aranha estava assim montada. Pedia então, gentilmente, a todos os que caíssem nela que lhe dessem um puxão e arrastassem um dos fios até ao lugar designado.
A sensação era o saciar duma necessidade que acaba inevitavelmente em estrago. No entanto, por inicialmente ser uma necessidade, o estrago era coagido, como quando se detecta um fio fora do lugar numa camisola e, sem hesitar, o puxamos para eliminar o defeito inicial. No final, o que era camisola é apenas um amontoado disforme de fios nas mãos.

Ela estava ali para ajudar, para que no final não houvesse só amontoados de fios e cotão pela cidade mas sim um magnífico véu bordado de pessoas no seu devido lugar.

Convém não estar perdido.

Sunday, 15 February 2009

1.

Duma maneira geral não é preciso perceber tudo o que se passa. É como acordar de manhã, sabe-se que o sol está lá, sente-se a luz reflectida na cara mas não se sabe muito bem porque é que isso acontece sempre, todos os dias e quando aconteceu pela primeira vez. Entretanto sonhou-se e era altura de alguém se levantar.

Ela gostava de ser uma pessoa-betão. Pessoas que carregam as suas opiniões em guindastes presos desde as suas cabeças até às gruas que constroem maravilhosos prédios com habitáculos alveolares ou então espaços verdes feitos de betão e devidamente circunscritos aos passeios. O mundo era um lugar confortável, decorado com julgamentos adquiridos fora de saldos para não estarem já muito escolhidos.

Duma maneira geral não se passa grande coisa.