A ideia era estar ali perto da saída do Metro, mas não muito perto - antes de se perderem ou pedirem indicações, as pessoas têm tendência de tentar encontrar os caminhos sozinhas - e não estar de mãos a abanar - o objectivo é que me venham pedir indicações, convém não aparentar um ar perdido.
A teia-de-aranha estava assim montada. Pedia então, gentilmente, a todos os que caíssem nela que lhe dessem um puxão e arrastassem um dos fios até ao lugar designado.
A sensação era o saciar duma necessidade que acaba inevitavelmente em estrago. No entanto, por inicialmente ser uma necessidade, o estrago era coagido, como quando se detecta um fio fora do lugar numa camisola e, sem hesitar, o puxamos para eliminar o defeito inicial. No final, o que era camisola é apenas um amontoado disforme de fios nas mãos.
Ela estava ali para ajudar, para que no final não houvesse só amontoados de fios e cotão pela cidade mas sim um magnífico véu bordado de pessoas no seu devido lugar.
Convém não estar perdido.